CFOP 5.926: reclassificação de mercadoria por formação ou desagregação de kit

Entenda quando usar o CFOP 5.926 na reclassificação por formação ou desagregação de kit, incluindo estoque, NCM, ICMS-ST, IPI, Bloco K, NF-e e SPED.

O CFOP 5.926 é utilizado no lançamento efetuado a título de reclassificação de mercadoria decorrente da formação de kit ou de sua desagregação.

Esse código não representa, por si só, venda, compra, remessa a terceiro ou circulação física externa. Ele é empregado para ajustar a classificação e o controle de estoque quando componentes individuais são agrupados em um kit comercial ou quando um kit é desfeito e retorna à condição de itens separados.

Resumo rápido do CFOP 5.926

PontoExplicação
TipoLançamento interno de reclassificação
FinalidadeFormação ou desagregação de kit
Há destinatário externo?Não, em regra
Há circulação física externa?Não
Há receita?Não pela reclassificação
Entrada correlataCFOP 1.926, conforme o procedimento
Principal riscoUsar o código para ocultar industrialização, produção, venda ou ajuste de estoque sem suporte documental

Definição oficial

O CFOP 5.926 corresponde ao lançamento efetuado a título de reclassificação de mercadoria decorrente de formação de kit ou de sua desagregação.

Quando usar

  • componentes separados serão reclassificados como um kit;
  • um kit será desagregado em seus componentes;
  • não há saída física para terceiro;
  • a empresa precisa manter rastreabilidade entre itens de origem e item resultante;
  • o procedimento está previsto na legislação estadual ou em disciplina específica;
  • os valores e quantidades serão conciliados no estoque;
  • não haverá criação artificial de crédito, receita ou custo.

Quando não usar

  • em venda de kit ao cliente;
  • em industrialização por encomenda;
  • em produção que altere natureza, funcionamento, acabamento ou apresentação do produto de forma relevante;
  • em simples ajuste de inventário sem causa identificada;
  • em perda, roubo, quebra ou consumo;
  • em remessa para terceiro montar o kit;
  • quando houver CFOP específico para a operação efetivamente realizada.

Formação de kit

Na formação de kit, itens mantidos separadamente no estoque são agrupados para comercialização conjunta. O controle deve baixar os componentes e registrar o item kit, preservando valor total, quantidade, NCM, unidade e rastreabilidade.

A simples embalagem conjunta pode não caracterizar industrialização para todos os efeitos, mas isso depende da operação real. Se houver acondicionamento ou reacondicionamento que configure industrialização para IPI ou ICMS, o tratamento deve ser revisto.

Desagregação de kit

Na desagregação, o item kit deixa de existir no estoque e seus componentes voltam a ser controlados individualmente. Os valores precisam ser distribuídos de forma coerente e documentada.

Não é correto usar o CFOP 5.926 para gerar componentes em quantidade superior à composição original ou alterar custos sem memória de cálculo.

CFOPs correlatos

SituaçãoCFOP provável
Saída de reclassificação5.926
Entrada de reclassificação1.926
Venda interna do kitCFOP de venda adequado
Venda interestadual do kitCFOP de venda interestadual adequado
Remessa para industrialização por terceiro5.901 ou 6.901, conforme a operação

ICMS

O CFOP 5.926 não garante não incidência, suspensão ou ausência de débito. O lançamento é normalmente associado a reclassificação interna de estoque, sem operação comercial com terceiro, mas o tratamento depende da legislação estadual e da natureza do processo.

Se a formação do kit implicar industrialização, mudança de NCM, tributação diferenciada, ICMS-ST ou benefício fiscal específico, a empresa deve revisar a parametrização e o procedimento.

ICMS-ST

A formação ou desagregação de kit com produtos sujeitos à substituição tributária exige cuidado. Componentes podem possuir CEST, NCM, MVA e tratamentos distintos. O kit não deve ser usado para afastar ou alterar indevidamente a ST.

É necessário avaliar se a tributação ocorre por componente, pelo item resultante ou conforme regra setorial específica.

IPI

Para o IPI, acondicionamento e reacondicionamento podem caracterizar industrialização em certas hipóteses. Portanto, a empresa deve verificar a legislação federal antes de tratar toda formação de kit como simples reclassificação.

PIS e COFINS

A reclassificação não representa receita por si só. Os efeitos de PIS e COFINS aparecem na venda posterior, nos créditos, no custo e na composição dos itens, conforme o regime tributário.

IBS e CBS na transição

Durante a transição da Reforma Tributária, a reclassificação interna deve ser separada da venda posterior. A empresa deve observar os leiautes e regras vigentes de IBS e CBS, principalmente quando os componentes e o kit possuírem classificações fiscais diferentes.

NF-e, XML e DANFE

Quando a legislação ou o sistema fiscal exigir documento para a reclassificação, confira:

  • CFOP 5926;
  • natureza da operação como reclassificação por formação ou desagregação de kit;
  • itens componentes e item resultante;
  • NCM, unidade, quantidade e valor;
  • CST/CSOSN coerente;
  • informações adicionais com memória de composição;
  • ausência de transporte externo, quando não houver circulação;
  • vínculo entre documento de saída e entrada de reclassificação.

Como não existe circulação externa, o DANFE não deve ser usado para acobertar transporte inexistente.

Estoque, Bloco K e SPED

O principal reflexo do CFOP 5.926 está no estoque. A empresa deve manter ficha técnica do kit, composição, quantidade dos componentes, valor unitário, perdas admitidas e critérios de rateio.

Na EFD ICMS/IPI, a escrituração deve ser coerente com o XML e com os registros de estoque e produção, inclusive Bloco K quando aplicável. O saldo final dos componentes e do kit deve fechar matematicamente.

Prazo e controle

O CFOP 5.926 não envolve prazo de retorno. O controle deve ocorrer na mesma competência da reclassificação, evitando estoque negativo, duplicidade ou diferença entre o ERP e o SPED.

O documento que inicia e encerra o procedimento deve estar vinculado à ordem interna de montagem ou desmontagem do kit.

Riscos fiscais

  • usar 5.926 para simples ajuste de inventário;
  • não manter composição do kit;
  • alterar custos sem memória de cálculo;
  • ignorar mudança de NCM ou tributação;
  • não analisar IPI e ICMS-ST;
  • gerar estoque negativo;
  • usar o documento para encobrir circulação física;
  • divergir XML, ERP, Bloco K e inventário.

Exemplo prático

Uma empresa paulista possui em estoque uma caneca, um sachê de café e uma caixa. Para comercializar um kit promocional, baixa os três componentes e registra um item kit, usando o procedimento de reclassificação com CFOP 5.926 e a entrada correspondente 1.926. Na venda ao cliente, utiliza o CFOP de venda aplicável, e não o 5.926.

Checklist fiscal

  • Há efetiva formação ou desagregação de kit?
  • Não existe circulação externa?
  • A composição está documentada?
  • Quantidades e valores fecham?
  • NCM, CEST e tributação foram revisados?
  • IPI e ICMS-ST foram analisados?
  • A entrada 1.926 está parametrizada?
  • ERP, inventário, Bloco K e SPED estão conciliados?

Perguntas frequentes

O CFOP 5.926 é usado na venda do kit?

Não. Ele é usado na reclassificação interna. A venda utiliza o CFOP comercial adequado.

Há circulação física?

Não para terceiro. Pode haver movimentação interna de estoque ou de produção.

Todo kit pode usar 5.926?

Não. É necessário confirmar que se trata de reclassificação e que não há industrialização ou procedimento específico diferente.

Qual é o código de entrada correlato?

Em regra, CFOP 1.926.

Fontes oficiais para consulta

Conclusão

O CFOP 5.926 deve ser usado na reclassificação interna decorrente da formação ou desagregação de kit. A empresa deve comprovar a composição, preservar valores e quantidades e verificar se a operação não caracteriza industrialização ou outra movimentação fiscal específica.

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Adriner
Adriner

Técnico contábil com 27 anos de experiência na área fiscal, evangélico, marido, pai e sempre disposto a ajudar.
Especialista em ICMS, IPI, PIS, COFINS, CST, ALÍQUOTAS, Nota Fiscal e SPEDFiscal.
Acredito que ajudar os outros é a melhor forma de crescer e aprender.

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