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CFOP 2.903: Entrada de mercadoria remetida para industrialização e não aplicada no processo
CFOP 2.903: retorno interestadual de mercadoria remetida para industrialização e não aplicada. Veja diferença para 2.902, NF-e, estoque, ERP e SPED.
Resumo executivo: o CFOP 2.903 classifica a entrada interestadual, no estabelecimento autor da encomenda, de mercadoria que havia sido remetida para industrialização por encomenda e retorna sem ter sido aplicada no processo industrial. A diferença para o CFOP 2.902 é decisiva: 2.902 trata dos insumos aplicados; 2.903, dos insumos não utilizados e devolvidos.
Identificação rápida
| Ponto | Regra |
|---|---|
| CFOP | 2.903 |
| Natureza | Entrada interestadual em retorno |
| Quem escritura | Autor da encomenda |
| Mercadoria | Insumo remetido anteriormente |
| Condição | Não aplicado na industrialização |
O que é o CFOP 2.903?
É o código utilizado para registrar o retorno de mercadoria enviada para industrialização por encomenda que não foi utilizada no processo. O item retorna ao estabelecimento de origem sem compor o produto industrializado.
Quando usar
Use quando parte ou a totalidade dos insumos enviados a industrializador localizado em outra UF não for aplicada no processo e for devolvida ao autor da encomenda.
Quando não usar
Não use para os insumos efetivamente aplicados na industrialização, cujo retorno é registrado com CFOP 2.902. Também não use pelo industrializador para registrar o recebimento inicial, hipótese do CFOP 2.901.
CFOPs que podem ser confundidos
| Situação | CFOP provável | Por que é diferente |
|---|---|---|
| Recebimento para industrializar | 2.901 | É a entrada no industrializador. |
| Retorno de insumo aplicado | 2.902 | O insumo integrou o processo/produto. |
| Retorno de insumo não aplicado | 2.903 | O insumo voltou sem utilização. |
| Saída do industrializador de insumo não aplicado | 6.903 | É o CFOP correspondente de saída interestadual. |
Fluxo completo da operação
- O encomendante remete insumos ao industrializador de outra UF.
- O industrializador registra a entrada com 2.901.
- Durante o processo, identifica os insumos efetivamente utilizados e os não utilizados.
- Os insumos aplicados retornam documentalmente no fluxo correspondente ao 2.902 no encomendante.
- Os insumos não aplicados são devolvidos separadamente e o encomendante registra a entrada com 2.903.
- Quantidades remetidas devem ser reconciliadas com quantidades aplicadas, devolvidas e eventuais perdas regularmente documentadas.
- Estoque, XML e SPED Fiscal devem fechar com esse controle.
Exemplo prático
Uma empresa paulista envia 500 unidades de um componente para industrializador no Rio Grande do Sul. O processo utiliza 470 unidades e devolve 30 sem aplicação. No retorno ao estabelecimento paulista, as 30 unidades não utilizadas são escrituradas com CFOP 2.903; a parcela aplicada segue o fluxo do 2.902.
NF-e e XML
Confira referência à remessa original, NCM, quantidade devolvida, unidade, valor, CFOP e CST/CSOSN. O XML deve separar claramente mercadorias não aplicadas daquelas incorporadas ao produto, bem como de materiais próprios e cobrança da industrialização.
ICMS, IPI, PIS e COFINS
O CFOP 2.903 identifica o retorno do insumo não aplicado, mas não determina sozinho suspensão, incidência, crédito ou CST. O tratamento depende da legislação aplicável à remessa e ao retorno, da UF, do produto e do regime tributário.
Estoque, ERP e financeiro
O ERP deve reintegrar ao estoque próprio a quantidade devolvida e baixar o controle de mercadoria em poder de terceiros. Como o 2.903 representa retorno de material próprio não utilizado, não deve gerar nova compra ou obrigação financeira com o industrializador.
SPED
Na EFD ICMS/IPI, a quantidade e o valor escriturados devem corresponder ao documento fiscal e ao controle da industrialização. Registros C100/C170 e demais registros aplicáveis devem preservar a separação por item e CFOP.
Prazo
O retorno de mercadoria não aplicada integra o encerramento do fluxo de industrialização por encomenda. Se a remessa estiver submetida a benefício condicionado a prazo, a devolução dos insumos não aplicados também deve ser considerada na reconciliação dentro das condições previstas pela legislação da UF. Controle a contagem a partir da remessa original e documente o encerramento de todas as quantidades.
Base legal e fontes oficiais
- SEFAZ-SP — Resposta à Consulta 5.784/2015: industrialização por encomenda e CFOPs correlatos.
- Portal Nacional da NF-e.
- Portal SPED.
Erros comuns
- usar 2.902 para todo o retorno sem separar sobras;
- não reconciliar quantidades;
- tratar material devolvido como nova compra;
- não referenciar a remessa original;
- não reintegrar o material ao estoque;
- ignorar perdas ou sobras no fechamento da ordem.
Checklist antes do lançamento
- Existe remessa anterior para industrialização?
- O retorno é interestadual?
- O item realmente não foi aplicado?
- A quantidade está separada do 2.902?
- A NF-e referencia a operação anterior?
- O estoque em terceiros foi baixado?
- XML, ERP e SPED estão conciliados?
FAQ
O que significa CFOP 2.903?
Entrada interestadual de mercadoria anteriormente remetida para industrialização por encomenda e devolvida sem ter sido aplicada no processo.
Qual a diferença entre 2.902 e 2.903?
O 2.902 registra o retorno dos insumos aplicados. O 2.903 registra o retorno dos insumos que sobraram ou não foram utilizados.




