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CFOP 2.923: Entrada de mercadoria recebida do vendedor remetente, em venda à ordem
CFOP 2.923: entrada interestadual em venda à ordem. Entenda vendedor remetente, adquirente originário, NF-e, ICMS, estoque, ERP e SPED.
Resumo executivo: o CFOP 2.923 registra a entrada interestadual da mercadoria que chega diretamente do vendedor remetente ao destinatário em uma operação de venda à ordem. É uma operação triangular: adquirente originário, vendedor remetente e destinatário final participam de documentos distintos. A circulação física e o faturamento não devem ser confundidos.
Identificação rápida
| Ponto | Regra |
|---|---|
| CFOP | 2.923 |
| Natureza | Entrada interestadual |
| Operação | Venda à ordem |
| Remetente físico | Vendedor remetente |
| Atenção | Há documentos fiscais distintos para circulação e faturamento |
O que é o CFOP 2.923?
É o código utilizado para registrar a entrada de mercadoria recebida do vendedor remetente em operação de venda à ordem, quando a circulação é interestadual para o estabelecimento que recebe fisicamente a mercadoria.
Como funciona a venda à ordem?
Na venda à ordem, o adquirente originário compra a mercadoria e determina que o vendedor remetente a entregue diretamente a um terceiro destinatário. Por isso, quem vende comercialmente e quem realiza a entrega física podem aparecer em documentos diferentes.
Quando usar
Use quando o estabelecimento recebe fisicamente, de outra UF, mercadoria enviada pelo vendedor remetente por ordem do adquirente originário, dentro do procedimento fiscal de venda à ordem.
Quando não usar
Não use em compra comum com entrega direta do próprio fornecedor sem estrutura de venda à ordem. Também não confunda com simples faturamento para entrega futura, tratado no CFOP 2.922, nem com industrialização por conta e ordem, que possui CFOPs próprios.
CFOPs que podem ser confundidos
| Situação | CFOP provável | Por que é diferente |
|---|---|---|
| Recebimento físico interestadual em venda à ordem | 2.923 | A mercadoria chega do vendedor remetente por ordem do adquirente originário. |
| Simples faturamento de compra para recebimento futuro | 2.922 | Não representa a circulação física da venda à ordem. |
| Entrada para industrialização por conta e ordem sem trânsito pelo adquirente | 2.924 | A mercadoria segue diretamente para industrializador. |
| Compra interestadual comum para comercialização | 2.102 | Não existe triangulação própria de venda à ordem. |
Fluxo completo da operação
- O adquirente originário compra a mercadoria do vendedor remetente.
- O adquirente originário determina que a entrega seja feita diretamente ao destinatário final.
- O adquirente originário emite a documentação fiscal de sua venda ao destinatário conforme a disciplina aplicável.
- O vendedor remetente emite a NF-e que acompanha a circulação física diretamente ao destinatário, com o CFOP de saída próprio da venda à ordem.
- O destinatário recebe fisicamente a mercadoria e registra a entrada correspondente com CFOP 2.923 quando essa for a classificação aplicável.
- As NF-e devem conter as referências exigidas para relacionar adquirente originário, vendedor remetente e destinatário.
Exemplo prático
Uma empresa paulista compra mercadoria de um comerciante do Paraná, mas a mercadoria está em poder de outro estabelecimento vendedor remetente e é enviada diretamente ao destinatário paulista por ordem do adquirente originário. A entrada física documentada pelo vendedor remetente pode ser registrada com CFOP 2.923, conforme o desenho fiscal da venda à ordem.
NF-e e XML
Confira emitente, destinatário, local de entrega, CFOP, NCM, quantidade, CST/CSOSN, ICMS, informações complementares e chaves das NF-e relacionadas. Em operação triangular, a rastreabilidade documental é essencial para explicar por que o remetente físico pode ser diferente do vendedor comercial.
ICMS, ICMS-ST e crédito
O CFOP 2.923 não determina sozinho débito, crédito ou ICMS-ST. É necessário identificar qual documento representa a circulação tributada, qual representa o faturamento, a origem da mercadoria, NCM/CEST, regime e UFs envolvidas. O crédito do destinatário deve estar apoiado no documento e na legislação aplicável.
IPI, PIS e COFINS
Analise cada documento segundo sua função e as regras próprias desses tributos. Não atribua ao documento de remessa física os mesmos efeitos econômicos do faturamento sem verificar a operação completa.
ERP, estoque e financeiro
O ERP deve receber fisicamente a mercadoria uma única vez e evitar duplicar estoque por causa dos documentos triangulares. O financeiro deve ser gerado contra a parte comercial correta, conforme a compra/venda efetiva, e não necessariamente contra o estabelecimento que realizou apenas a remessa física.
SPED
Na EFD ICMS/IPI, os documentos devem ser escriturados conforme sua função fiscal, preservando referências e evitando duplicidade de quantidade ou valor. Registros C100/C170 e demais registros aplicáveis devem permanecer conciliados com os XML.
Prazo
O CFOP 2.923 não estabelece prazo nacional de retorno porque a venda à ordem não é, em regra, remessa temporária. O principal controle é documental: todas as NF-e da operação devem ser emitidas e relacionadas na sequência prevista pela legislação.
Base legal e fontes oficiais
- RICMS/SP — artigo 129: venda à ordem e entrega futura.
- RICMS/SP — Anexo V: tabela oficial de CFOP.
- Portal Nacional da NF-e.
Erros comuns
- confundir vendedor comercial com remetente físico;
- duplicar estoque pelos dois documentos;
- gerar contas a pagar para o remetente físico indevidamente;
- não referenciar as NF-e relacionadas;
- confundir venda à ordem com entrega futura;
- usar 2.923 em industrialização por conta e ordem.
Checklist antes do lançamento
- Existem três participantes na operação?
- Quem vendeu comercialmente?
- Quem remeteu fisicamente?
- Quem recebeu a mercadoria?
- A entrada é interestadual?
- As NF-e estão referenciadas?
- O ERP evitará duplicidade de estoque e financeiro?




