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CFOP 5.919: devolução simbólica interna de mercadoria vendida ou utilizada em consignação
Entenda quando usar o CFOP 5.919 na devolução simbólica interna de mercadoria vendida ou utilizada em consignação, incluindo ICMS, faturamento, estoque e SPED.
O CFOP 5.919 é utilizado na devolução simbólica interna de mercadoria vendida ou utilizada em processo industrial, remetida anteriormente em consignação mercantil ou industrial.
Nessa operação, a mercadoria não retorna fisicamente ao consignante. O documento é emitido pelo consignatário para encerrar simbolicamente a parcela vendida ou utilizada, mantendo vínculo com a NF-e de remessa original, normalmente emitida com CFOP 5.917.
Resumo rápido do CFOP 5.919
| Ponto | Explicação |
|---|---|
| Tipo | Saída interna simbólica |
| Finalidade | Devolução simbólica de mercadoria vendida ou utilizada |
| Emitente | Consignatário |
| Destinatário | Consignante localizado na mesma UF |
| Circulação física | Não |
| Documento anterior | NF-e de remessa com CFOP 5.917 |
| Entrada correlata | CFOP 1.919 |
| Principal risco | Confundir devolução simbólica com devolução física ou não vinculá-la ao faturamento posterior |
Quando usar
- a mercadoria foi recebida em consignação mercantil ou industrial;
- a remessa original foi interna;
- o consignante está na mesma UF;
- a mercadoria foi vendida ou utilizada e não retornará fisicamente;
- a NF-e original será referenciada;
- a quantidade simbólica corresponde à parcela efetivamente vendida ou consumida;
- o consignante emitirá o faturamento correspondente;
- estoque, XML, contrato e SPED serão conciliados.
Quando não usar
- em devolução física — avaliar CFOP 5.918;
- em operação interestadual — avaliar CFOP 6.919;
- quando não existe remessa anterior em consignação;
- em devolução de compra comum;
- quando a mercadoria ainda permanece no estoque do consignatário;
- quando não houve venda nem utilização industrial;
- quando o fluxo de ICMS-ST exige procedimento específico.
Consignação mercantil
Na consignação mercantil, o consignatário vende a mercadoria ao cliente final e emite a devolução simbólica ao consignante com CFOP 5.919. Em seguida, o consignante emite a NF-e de venda referente à quantidade efetivamente comercializada.
O documento de devolução simbólica não substitui a NF-e de venda ao cliente nem o faturamento do consignante.
Consignação industrial
Na consignação industrial, a devolução simbólica corresponde à quantidade efetivamente utilizada no processo produtivo. O consignante emite o faturamento da parcela consumida, observando o protocolo, o RICMS e os CFOPs específicos aplicáveis.
Não se deve aplicar automaticamente o mesmo fluxo da consignação mercantil, porque o tratamento da consignação industrial pode depender de protocolo e condições próprias.
CFOPs correlatos
| Situação | CFOP provável |
|---|---|
| Remessa interna original | 5.917 |
| Entrada no consignatário | 1.917 |
| Devolução física interna | 5.918 |
| Entrada da devolução física | 1.918 |
| Devolução simbólica interna | 5.919 |
| Entrada simbólica | 1.919 |
| Venda posterior do consignante | CFOP específico conforme origem da mercadoria e modalidade |
ICMS
O CFOP 5.919 não define sozinho destaque, estorno, crédito ou ausência de imposto. O tratamento deve ser compatível com a remessa original e com a venda ou utilização posterior.
Em São Paulo, a consignação mercantil é disciplinada pelos artigos 465 a 471 do RICMS/SP e pela Portaria SRE nº 41/2023. A devolução simbólica deve reproduzir os valores e tributos pertinentes à quantidade vendida ou utilizada, conforme o procedimento aplicável.
ICMS-ST
Mercadorias sujeitas à substituição tributária exigem análise específica. É necessário verificar se o fluxo de consignação é admitido, quem é o substituto, como tratar retenção anterior, complemento, ressarcimento e devolução simbólica.
Prazo e controle
O CFOP 5.919 não possui prazo nacional único. O prazo decorre do contrato e da legislação aplicável.
O documento que inicia o controle é a NF-e 5.917. A operação é encerrada pela devolução simbólica 5.919 e pelo faturamento correspondente, ou pela devolução física 5.918 do saldo não vendido ou não utilizado.
O controle deve ser feito por chave da NF-e, item, quantidade, preço, venda, utilização, devolução simbólica, devolução física e saldo.
NF-e, XML e DANFE
No XML, confira:
- CFOP 5919;
- chave da NF-e 5.917 referenciada;
- natureza da operação como devolução simbólica de consignação;
- NCM, unidade, quantidade e valor proporcionais;
- CST/CSOSN compatível;
- ICMS, IPI, PIS e COFINS conforme o fluxo original;
- informações adicionais com identificação da venda ou utilização;
- ausência de dados de transporte vinculados ao retorno simbólico.
Como não há circulação física no retorno simbólico, o DANFE não deve ser usado para acobertar transporte inexistente.
IPI, PIS, COFINS, IBS e CBS
A devolução simbólica não representa nova receita. O reconhecimento tributário deve acompanhar a venda ou utilização efetiva e o faturamento correspondente.
Durante a transição, IBS e CBS devem ser tratados conforme a legislação vigente, mantendo vínculo entre remessa, devolução simbólica e operação econômica posterior.
SPED Fiscal e estoque
Na EFD ICMS/IPI, registre a NF-e conforme o XML, normalmente nos registros C100, C170 e C190. O consignante registra a entrada simbólica com CFOP 1.919.
O estoque deve demonstrar remessa 5.917, quantidade vendida ou utilizada, devolução simbólica 5.919, devolução física 5.918 e saldo pendente.
Riscos fiscais
- usar 5.919 em devolução física;
- não referenciar a NF-e 5.917;
- emitir quantidade superior à vendida ou utilizada;
- não vincular o documento ao faturamento;
- duplicar receita ou tributação;
- ignorar ICMS-ST;
- divergir NF-e, contrato, estoque e SPED.
Exemplo prático
Um comerciante paulista recebe 100 unidades em consignação com CFOP 5.917 e vende 70. Emite devolução simbólica com CFOP 5.919 pelas 70 unidades, enquanto o consignante emite a NF-e de venda correspondente. As 30 restantes podem permanecer consignadas ou retornar fisicamente com CFOP 5.918.
Checklist fiscal
- Existe remessa original 5.917?
- A operação é interna?
- A mercadoria foi vendida ou utilizada?
- Não haverá retorno físico dessa parcela?
- A quantidade respeita o saldo?
- A NF-e original foi referenciada?
- O faturamento correspondente será emitido?
- ICMS-ST foi analisado?
- Estoque e SPED estão conciliados?
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre 5.918 e 5.919?
O 5.918 representa devolução física. O 5.919 representa devolução simbólica da quantidade vendida ou utilizada.
Qual CFOP o consignante usa na entrada?
Em regra, CFOP 1.919.
Existe transporte na operação?
Não no retorno simbólico. A circulação física já ocorreu na remessa original ou na venda ao adquirente.
A devolução simbólica substitui o faturamento?
Não. O consignante deve emitir a NF-e de venda correspondente, conforme o fluxo aplicável.
Fontes oficiais para consulta
- Tabela CFOP vigente do CONFAZ;
- Ajuste SINIEF nº 2/1993;
- RICMS/SP, artigos 465 a 471;
- Portaria SRE nº 41/2023, Anexo VII;
- Portal Nacional da NF-e;
- Guia Prático da EFD ICMS/IPI;
- Guia Prático da EFD-Contribuições.
Conclusão
O CFOP 5.919 deve ser usado na devolução simbólica interna da mercadoria consignada que foi vendida ou utilizada. A operação exige vínculo com a remessa 5.917, faturamento correspondente e conciliação entre NF-e, estoque, contrato e SPED.




