CFOP 6.916: retorno interestadual de mercadoria ou bem recebido para conserto ou reparo

Entenda quando usar o CFOP 6.916 no retorno interestadual de bem recebido para conserto ou reparo, incluindo prazo por UF, peças, serviço, NF-e e SPED.

O CFOP 6.916 é utilizado no retorno interestadual de mercadoria ou bem recebido para conserto ou reparo.

Esse código é emitido pelo prestador quando devolve ao proprietário, situado em outra UF, o mesmo bem anteriormente recebido. O retorno deve ser separado das peças aplicadas e do serviço prestado, porque cada natureza possui tratamento fiscal próprio.

Resumo rápido

PontoExplicação
TipoSaída interestadual de retorno
FinalidadeRetorno de bem recebido para conserto ou reparo
EmitentePrestador do serviço
DestinatárioProprietário localizado em outra UF
Documento anteriorNF-e com CFOP 6.915 ou entrada 2.915
Entrada do proprietárioCFOP 2.916
Principal riscoNão validar o prazo e o tratamento das duas UFs

Quando usar

  • o bem foi recebido para conserto;
  • o proprietário está em outra UF;
  • o mesmo bem está retornando;
  • a NF-e original será referenciada;
  • não há transferência de propriedade;
  • peças e serviço serão separados;
  • as legislações das duas UFs foram verificadas.

Quando não usar

  • em retorno interno — avaliar CFOP 5.916;
  • para peças próprias do prestador;
  • em devolução de compra ou venda;
  • em retorno de industrialização por encomenda;
  • quando o bem foi substituído definitivamente;
  • quando o bem é irreparável e não retornará.

CFOPs correlatos

SituaçãoCFOP provável
Remessa interestadual para conserto6.915
Entrada no prestador2.915
Retorno interestadual6.916
Entrada do retorno2.916
Remessa interna5.915
Retorno interno5.916
Peças aplicadasCFOP de venda aplicável

ICMS e prazo

O CFOP 6.916 não garante sozinho não incidência ou suspensão. O tratamento depende da operação real e das regras da UF do proprietário e da UF do prestador.

Quando o proprietário é paulista e o bem é de usuário final, São Paulo admite não incidência no retorno do mesmo bem, conforme o artigo 7º, inciso X, do RICMS/SP. Outras UFs podem exigir suspensão com prazo específico.

Não existe prazo nacional único. O documento que inicia o fluxo é a NF-e 6.915, e o que encerra é a NF-e 6.916, registrada pelo proprietário com CFOP 2.916. A empresa deve controlar data da entrada, prazo da UF aplicável, ordem de serviço e retorno efetivo.

Peças e serviço

Na NF-e, separe:

  • bem de terceiro retornado: CFOP 6.916;
  • peças próprias aplicadas: CFOP de venda compatível;
  • serviço: documento fiscal municipal, quando aplicável;
  • frete e despesas acessórias: conforme o tratamento específico.

NF-e, XML e DANFE

No XML, confira CFOP 6916, idDest interestadual, chave da NF-e original, descrição do bem, NCM, número de série ou patrimônio, quantidade, CST/CSOSN, peças em itens separados, ordem de serviço e dados de transporte.

O DANFE deve acompanhar o bem e deixar claro que se trata de retorno de conserto.

Bem irreparável

Se o bem não retornar, a operação precisa ser regularizada conforme a legislação das UFs. Descarte, substituição, perda ou ingresso definitivo no estabelecimento do prestador exigem documentação própria.

SPED e tributos federais

Na EFD ICMS/IPI, registre a NF-e conforme o XML, normalmente nos registros C100, C170 e C190. O proprietário registra a entrada com CFOP 2.916.

O retorno não representa receita. PIS, COFINS, IPI, IBS e CBS devem ser analisados separadamente para peças e serviço.

Riscos fiscais

  • não referenciar a NF-e 6.915;
  • usar 6.916 para peças próprias;
  • ignorar prazo da outra UF;
  • não separar serviço e mercadorias;
  • retornar bem diferente do recebido;
  • divergir NF-e, ordem de serviço e SPED.

Exemplo prático

Uma assistência técnica mineira recebe máquina de empresa paulista com entrada 2.915. Após o reparo, emite NF-e com CFOP 6.916 para devolver o equipamento, separa as peças aplicadas em itens próprios e a empresa paulista registra a entrada com CFOP 2.916.

Checklist

  • Existe remessa original 6.915?
  • O mesmo bem está retornando?
  • As duas UFs foram verificadas?
  • A NF-e original foi referenciada?
  • Peças e serviço foram separados?
  • O proprietário registrará 2.916?
  • NF-e, ordem de serviço e SPED estão conciliados?

Fontes oficiais

Conclusão

O CFOP 6.916 deve ser usado no retorno interestadual do mesmo bem recebido para conserto. A operação exige vínculo com a remessa 6.915, validação das duas UFs e separação entre retorno, peças e serviço.

Compartilhe seu amor
Adriner
Adriner

Técnico contábil com 27 anos de experiência na área fiscal, evangélico, marido, pai e sempre disposto a ajudar.
Especialista em ICMS, IPI, PIS, COFINS, CST, ALÍQUOTAS, Nota Fiscal e SPEDFiscal.
Acredito que ajudar os outros é a melhor forma de crescer e aprender.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *