CFOP 7.101: Venda de produção do estabelecimento para o exterior — NF-e, DU-E, XML, SPED e tributação

Entenda o CFOP 7.101 na exportação de produção própria do estabelecimento, com NF-e de exportação, DU-E, XML, SPED, ICMS, IPI, PIS/COFINS e comprovação fiscal.

Publicado em 29/06/2026 00h12 5 min de leitura

Resumo executivo

O CFOP 7.101 é usado na venda de produção do estabelecimento para o exterior. Ele se aplica quando a empresa exporta produto fabricado, produzido ou industrializado por ela própria, com saída destinada a cliente no exterior.

O ponto crítico é que o CFOP correto não basta para sustentar o tratamento fiscal da exportação. A empresa precisa comprovar a saída do país com NF-e de exportação, DU-E, averbação, invoice, packing list, transporte internacional, XML e escrituração coerente no SPED.

O que é o CFOP 7.101

É o CFOP usado para venda de produto próprio ao exterior. Diferencia-se do CFOP 7.102, que trata mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, e do CFOP 7.105, que trata produção própria que não deve transitar pelo estabelecimento antes da exportação.

Definição oficial do CFOP

CFOPDescrição oficialLeitura prática
7.101Venda de produção do estabelecimentoExportação de produto fabricado ou produzido pelo próprio estabelecimento

Quando usar

  • quando a mercadoria exportada é produção própria do estabelecimento;
  • quando o destinatário é cliente no exterior;
  • quando a NF-e é de saída para exportação;
  • quando a operação deve instruir a DU-E;
  • quando a empresa tem documentação de exportação que comprove a saída do país.

Quando não usar

SituaçãoCFOP provávelMotivo
Mercadoria adquirida ou recebida de terceiros7.102Não é produção própria
Produção própria que não transita pelo estabelecimento7.105Mercadoria sai de armazém ou depósito sem retorno ao estabelecimento
Mercadoria de terceiros que não transita pelo estabelecimento7.106Exportação de terceiros fora do estabelecimento
Venda com fim específico de exportação7.501/7.502 ou correlatosExportação indireta exige análise própria
Venda interestadual no mercado interno6.101Não é exportação

CFOPs correlatos

CFOPFunçãoCuidado
6.101Venda interestadual de produção própriaMercado interno, não exportação
7.102Exportação de mercadoria de terceirosUsar quando o produto não é próprio
7.105Exportação de produção própria sem trânsitoUsar quando a mercadoria sai de armazém ou local externo
7.501/7.502Exportação indireta/fim específicoExige prova da estrutura comercial

Prazo e condição fiscal

O CFOP 7.101 não possui prazo único próprio. O controle é aduaneiro e documental: emissão da NF-e, registro da DU-E, embarque, averbação, comprovação de saída e guarda de documentos. Quando houver regime especial, drawback, benefício ou manutenção de crédito, devem ser observados os prazos específicos desse regime.

A condição fiscal essencial é comprovar que a exportação ocorreu. A NF-e deve ser de saída, com CFOP do grupo 7.000 e destino exterior, e seus dados devem ser compatíveis com a DU-E.

ICMS, CST, CSOSN, IPI, PIS e COFINS

Exportações costumam ter tratamento de não incidência, imunidade ou alíquota zero, conforme o tributo e a legislação aplicável. Porém, a empresa deve validar produto, regime, manutenção de crédito e documentação. O CFOP 7.101 é parte da prova fiscal, não a prova inteira.

Tributo/regimeCódigos possíveisRessalva
ICMS CST40, 41, 90Depende da orientação da UF e enquadramento
CSOSN300, 400, 900Depende do Simples Nacional e da receita de exportação
IPI52, 53, 55, 99Validar TIPI, imunidade, suspensão ou não tributação
PIS/COFINS08, 09, 49Validar receita de exportação e regime de apuração

Riscos fiscais

  • usar 7.101 para mercadoria de terceiros;
  • emitir NF-e incompatível com DU-E;
  • não comprovar saída do país;
  • usar NF-e de ajuste para substituir documento de exportação;
  • escriturar receita de exportação sem documentação de suporte;
  • confundir exportação direta com exportação indireta.

NF-e, XML, DANFE e DU-E

A NF-e deve conter CFOP 7.101 nos itens de produção própria exportados. O destinatário deve ser exterior. O XML deve ter NCM, quantidade, unidade, valor e descrição compatíveis com a DU-E, invoice e demais documentos. O DANFE não substitui averbação ou comprovação aduaneira.

Exemplo simplificado de XML

<infNFe>
  <ide><natOp>Venda de produção do estabelecimento para o exterior</natOp><idDest>3</idDest></ide>
  <dest><idEstrangeiro>[ID_CLIENTE_EXTERIOR]</idEstrangeiro><xNome>Cliente exterior</xNome></dest>
  <det nItem="1"><prod><xProd>Produto de fabricação própria exportado</xProd><NCM>[NCM_DO_PRODUTO]</NCM><CFOP>7101</CFOP><qCom>100.0000</qCom><vProd>60000.00</vProd></prod></det>
  <infAdic><infCpl>Exportação de produção própria. Vincular DU-E, invoice, packing list, transporte internacional e comprovação de saída do país.</infCpl></infAdic>
</infNFe>

SPED Fiscal e EFD Contribuições

No SPED Fiscal, a NF-e deve ser registrada como saída de exportação com CFOP 7.101, observando valores, itens, créditos e documentos de suporte. Na EFD Contribuições, a receita de exportação deve ser tratada conforme CST aplicável e regime de apuração, com guarda da documentação aduaneira.

Exemplo prático

Uma indústria paulista fabrica máquinas e vende diretamente a cliente no exterior. A mercadoria sai do estabelecimento para embarque internacional. A empresa emite NF-e com CFOP 7.101, registra a DU-E com dados compatíveis, guarda invoice, packing list, transporte e averbação, e escritura a operação como exportação.

Checklist fiscal

  • Confirmar que a mercadoria é produção própria.
  • Confirmar que o destinatário é exterior.
  • Emitir NF-e de saída com CFOP 7.101.
  • Conferir NCM, unidade, quantidade, valor e descrição.
  • Vincular NF-e à DU-E.
  • Guardar invoice, packing list, contrato, transporte e averbação.
  • Conferir SPED Fiscal, EFD Contribuições e créditos.

FAQ

Qual a diferença entre 7.101 e 7.102?

O 7.101 é para produção própria. O 7.102 é para mercadoria adquirida ou recebida de terceiros.

O CFOP 7.101 garante tratamento fiscal de exportação?

Não sozinho. É necessário comprovar a exportação com NF-e, DU-E, averbação e demais documentos.

A DU-E precisa estar compatível com a NF-e?

Sim. Itens, NCM, quantidades, valores e dados da NF-e devem ser coerentes com a declaração de exportação.

Precisa de revisão humana?

Sim, especialmente em regimes especiais, drawback, exportação indireta, manutenção de crédito ou divergência NF-e x DU-E.

Fontes oficiais consultadas

Conclusão

O CFOP 7.101 deve ser usado na exportação direta de produção própria do estabelecimento. Para reduzir risco fiscal, a empresa precisa comprovar a produção própria, a saída para o exterior, a DU-E, a averbação e a escrituração coerente no SPED.

Este conteúdo é meramente informativo e não substitui a análise de um contador, consultor tributário ou advogado para casos específicos.

Adriner

Técnico contábil com 27 anos de experiência na área fiscal, evangélico, marido, pai e sempre disposto a ajudar. Especialista em ICMS, IPI, PIS, COFINS, CST, ALÍQUOTAS, Nota Fiscal e SPEDFiscal. Acredito que ajudar os outros é a melhor forma de crescer e aprender.

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