CFOP 1.116: compra para industrialização ou produção rural com recebimento futuro

Entenda o CFOP 1.116 na compra para industrialização ou produção rural com recebimento futuro, relação com 1.922, ICMS, XML e SPED.

O CFOP 1.116 é utilizado para registrar a entrada real de mercadoria comprada para industrialização ou produção rural quando a aquisição já havia sido documentada anteriormente como simples faturamento para recebimento futuro.

O ponto central é separar o momento do faturamento do momento da entrada física. No faturamento antecipado, o adquirente registra o documento com CFOP 1.922. Quando a mercadoria efetivamente entra no estabelecimento e será usada no processo produtivo, a entrada é classificada no CFOP 1.116, se a operação for interna e estiver de acordo com a tabela vigente.

Resumo rápido do CFOP 1.116

PontoExplicação
CFOP1.116
DescriçãoCompra para industrialização ou produção rural originada de encomenda para recebimento futuro
TipoEntrada interna
Etapa anteriorSimples faturamento normalmente registrado com CFOP 1.922
Momento do 1.116Entrada física da mercadoria
FinalidadeIndustrialização ou produção rural
Principal riscoUsar 1.116 sem faturamento anterior para recebimento futuro ou em compra para revenda

Para que serve o CFOP 1.116?

O CFOP 1.116 serve para fechar fiscalmente a etapa física de uma compra com recebimento futuro. Ele diferencia essa entrada de uma compra comum para industrialização, normalmente classificada no CFOP 1.101.

Essa distinção é importante porque, na entrega futura, existem pelo menos dois momentos documentais: o simples faturamento e a circulação física da mercadoria. O ERP deve relacionar os dois documentos para evitar duplicidade de estoque, contas a pagar ou crédito.

Quando usar o CFOP 1.116?

  • houve compra interna;
  • a mercadoria será utilizada em industrialização ou produção rural;
  • o faturamento ocorreu antes da entrega física;
  • o documento de simples faturamento foi registrado anteriormente com CFOP 1.922, quando aplicável;
  • agora ocorre a entrada real da mercadoria;
  • os documentos estão vinculados.

CFOP 1.116 x CFOP 1.101

SituaçãoCFOP provável
Compra comum para industrialização, sem simples faturamento anterior1.101
Entrada física de compra para industrialização já faturada para recebimento futuro1.116

CFOP 1.116 x CFOP 1.922

O 1.922 identifica o lançamento do simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro. O 1.116 identifica a entrada real posterior, quando a mercadoria será usada na industrialização ou produção rural.

Não são códigos concorrentes: eles representam etapas diferentes da mesma operação.

O que a SEFAZ/SP diz sobre recebimento futuro?

A Resposta à Consulta Tributária SEFAZ/SP nº 23.842/2021 confirma, no caso analisado, a utilização do CFOP 1.922/2.922 para registrar a nota de simples faturamento de compra para recebimento futuro. A consulta reforça a necessidade de distinguir o faturamento da operação que documentará a efetiva circulação.

Para o CFOP 1.116, a tabela oficial estabelece que ele é usado quando ocorre a entrada real da mercadoria destinada à industrialização ou produção rural cuja aquisição havia sido classificada como simples faturamento para recebimento futuro.

ICMS e crédito

O CFOP 1.116 não garante crédito de ICMS. O direito depende da legislação, do documento fiscal da entrada efetiva, da destinação produtiva, do regime tributário, da NCM e de eventuais restrições ou benefícios.

O controle deve evitar crédito duplicado entre a nota de simples faturamento e a nota que acompanha a circulação física.

Qual CST ou CSOSN usar?

Não existe CST ou CSOSN único para o CFOP 1.116. A tributação deve ser analisada conforme o documento emitido pelo fornecedor, a operação real e o regime das partes.

NF-e, XML e DANFE

No XML do simples faturamento e no XML da entrega física, as chaves e referências devem permitir identificar que os documentos pertencem à mesma operação. O documento que acompanha a circulação física deve ser escriturado de forma coerente com a entrada real.

SPED Fiscal

Na EFD ICMS/IPI, o contribuinte deve manter coerência entre o registro do faturamento, a entrada física, o crédito efetivamente apropriado e o estoque. Registros C100, C170 e C190 podem ser relevantes conforme o documento e o perfil do contribuinte.

Exemplo prático

Uma indústria paulista compra matéria-prima de fornecedor paulista em agosto, mas a entrega será realizada em setembro. Em agosto, recebe uma NF-e de simples faturamento e registra a compra para recebimento futuro. Em setembro, quando a matéria-prima entra fisicamente e será usada na produção, a entrada é escriturada com CFOP 1.116, quando atendidas as condições aplicáveis.

IBS e CBS em 2026

Na transição da Reforma Tributária, trate separadamente o regime legado e IBS/CBS. O momento de faturamento e o momento da circulação podem produzir efeitos distintos conforme a legislação dos novos tributos, razão pela qual a parametrização não deve ser feita apenas por analogia ao ICMS.

Erros comuns

  • usar 1.116 em compra comum sem faturamento anterior;
  • usar 1.116 para mercadoria destinada à revenda;
  • não vincular a nota de simples faturamento à entrada física;
  • duplicar estoque ou crédito;
  • copiar automaticamente o CFOP do fornecedor;
  • ignorar operação interestadual, que exige grupo 2.xxx.

Checklist

  • Existe simples faturamento anterior?
  • A operação é interna?
  • A mercadoria será usada em industrialização ou produção rural?
  • A entrada física está ocorrendo agora?
  • Os documentos estão vinculados?
  • O eventual crédito foi validado?
  • ERP e SPED estão conciliados?

Perguntas frequentes

O que significa CFOP 1.116?

Compra para industrialização ou produção rural originada de encomenda para recebimento futuro.

Qual a diferença entre 1.116 e 1.101?

O 1.101 é compra comum para industrialização; o 1.116 pressupõe simples faturamento anterior e entrada física posterior.

Qual a relação entre 1.116 e 1.922?

O 1.922 registra o simples faturamento; o 1.116 registra a entrada real posterior destinada à industrialização ou produção rural.

CFOP 1.116 gera crédito de ICMS?

Pode haver crédito quando atendidas as condições legais, mas o CFOP não cria o direito automaticamente.

Planilha CFOP para download

Consulte também a Planilha CFOP disponível na área de downloads do NotaFiscal.cnt.br.

Fontes oficiais

Conclusão

O CFOP 1.116 deve ser utilizado na entrada real de mercadoria comprada para industrialização ou produção rural quando a operação já havia sido documentada como simples faturamento para recebimento futuro. O vínculo entre os documentos é essencial para evitar inconsistências fiscais e contábeis.

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Adriner
Adriner

Técnico contábil com 27 anos de experiência na área fiscal, evangélico, marido, pai e sempre disposto a ajudar.
Especialista em ICMS, IPI, PIS, COFINS, CST, ALÍQUOTAS, Nota Fiscal e SPEDFiscal.
Acredito que ajudar os outros é a melhor forma de crescer e aprender.

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