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CST 90 do ICMS: outras situações, NF-e, cálculo e exemplo de XML
CST 90 do ICMS: entenda quando usar outras situações, diferença para CST 090, NF-e, XML, ICMS-ST, crédito e SPED Fiscal.
O CST 90 do ICMS identifica outras situações tributárias que não se enquadram adequadamente nos códigos específicos da Tabela B. Por isso, seu uso deve ser residual e justificado.
Na prática, o CST 90 não deve funcionar como código coringa do ERP. Antes de utilizá-lo, é preciso demonstrar por que CST 00, 10, 20, 30, 40, 41, 50, 51, 60 ou 70 não representam melhor a operação.
Neste artigo, você verá quando usar o CST 90, quando não usar, a diferença entre CST 90 e CST 090, como preencher a NF-e, quais campos podem aparecer no grupo ICMS90 e como tratar a escrituração no SPED Fiscal.
Resumo rápido do CST 90
| Ponto | Explicação |
|---|---|
| Código da Tabela B | 90 |
| Descrição oficial | Outras |
| Código completo comum | 090, quando a origem da mercadoria é 0 |
| Natureza | Residual |
| Grupo XML | ICMS90 |
| Pode ter ICMS próprio? | Sim, conforme a operação |
| Pode ter ICMS-ST? | Sim, quando a situação residual também envolver ST |
| Principal risco | Usar CST 90 quando existe código mais específico |
O que é o CST 90 do ICMS?
O Convênio SINIEF s/nº de 1970 classifica o código 90 como “outras” situações tributárias.
Isso significa que o CST 90 deve ser utilizado apenas quando a operação não estiver representada de forma adequada pelos códigos específicos da tabela.
Além disso, o código não autoriza qualquer tratamento fiscal por si só. A análise continua dependendo da legislação, da UF, do produto, da NCM, do CFOP, do regime tributário, de eventual benefício, do ICMS-ST e do FCP.
Qual é a diferença entre CST 90 e CST 090?
O código completo combina a origem da mercadoria com a tributação do ICMS:
- origem 0 + CST 90 = 090;
- origem 1 + CST 90 = 190;
- origem 2 + CST 90 = 290;
- e assim por diante.
Portanto, CST 90 representa a situação tributária. Já CST 090 é uma combinação específica entre origem 0 e tributação 90.
Quando usar o CST 90?
Avalie o CST 90 quando:
- a operação não se enquadrar nos códigos específicos da Tabela B;
- existir fundamento fiscal para o tratamento adotado;
- o CFOP, a NCM, a origem e a UF estiverem corretos;
- os campos de ICMS próprio, ST, FCP ou desoneração refletirem a operação real;
- o emitente estiver obrigado a usar CST, e não CSOSN;
- a decisão estiver documentada e revisada.
Em resumo, o uso deve ser excepcional. Antes de escolher CST 90, teste se outro código descreve melhor a operação.
Quando não usar o CST 90?
| Situação | Código mais específico a avaliar |
|---|---|
| Tributação integral | CST 00 |
| Operação própria tributada com ST | CST 10 |
| Redução de base sem ST | CST 20 |
| Operação própria isenta ou não tributada com ST | CST 30 |
| Isenção | CST 40 |
| Não tributação | CST 41 |
| Suspensão | CST 50 |
| Diferimento | CST 51 |
| ICMS cobrado anteriormente por ST | CST 60 |
| Redução de base com ST | CST 70 |
Também não use CST 90 para esconder ausência de parametrização, cadastro fiscal incompleto ou dúvida sobre o enquadramento do produto.
Por que o CST 90 é residual?
A Tabela B possui códigos desenhados para situações específicas. O CST 90 existe para hipóteses que não se ajustam integralmente a essas categorias.
Por isso, a empresa deve registrar:
- qual é a operação real;
- por que os CSTs específicos foram descartados;
- qual é o fundamento legal;
- quais campos serão preenchidos;
- qual será o impacto na apuração e no SPED;
- quem aprovou a parametrização.
Quais CFOPs podem aparecer com CST 90?
Não existe CFOP exclusivo para o CST 90. Dependendo da operação, podem aparecer CFOPs de venda, remessa, retorno, ajuste ou complemento.
| Operação exemplificativa | CFOP provável | Atenção |
|---|---|---|
| Venda interna com situação residual | 5.101 ou 5.102 | Justificar por que CST 00, 20 ou outro não se aplica |
| Venda interestadual residual | 6.101 ou 6.102 | Validar destino, alíquota e DIFAL |
| Operação com ST sem código mais específico | CFOP conforme a responsabilidade | Confirmar se CST 10, 30, 60 ou 70 não é mais adequado |
| Documento complementar ou de ajuste | CFOP e finalidade correspondentes | Vincular ao documento de origem |
Esses CFOPs são apenas exemplos. A combinação final deve refletir a operação real e a legislação vigente.
Como preencher o CST 90 na NF-e?
O grupo ICMS90 é flexível. Conforme a operação, podem aparecer campos de ICMS próprio, ICMS-ST, FCP e desoneração.
Entre os campos possíveis estão:
origeCST;modBC,vBC,pRedBC,pICMSevICMS;modBCST,pMVAST,pRedBCST,vBCST,pICMSSTevICMSST;- campos de FCP próprio e FCP-ST;
- campos de desoneração, quando aplicáveis.
Entretanto, nem todos os campos devem ser preenchidos ao mesmo tempo. O XML precisa conter apenas os grupos compatíveis com a operação.
Exemplo de XML do CST 090 com ICMS próprio
<ICMS>
<ICMS90>
<orig>0</orig>
<CST>90</CST>
<modBC>3</modBC>
<vBC>1000.00</vBC>
<pICMS>18.0000</pICMS>
<vICMS>180.00</vICMS>
</ICMS90>
</ICMS>Nesse exemplo, origem 0 e CST 90 formam o código completo 090. O trecho é meramente ilustrativo.
Exemplo de XML do CST 090 com ICMS próprio e ST
<ICMS>
<ICMS90>
<orig>0</orig>
<CST>90</CST>
<modBC>3</modBC>
<vBC>1000.00</vBC>
<pICMS>18.0000</pICMS>
<vICMS>180.00</vICMS>
<modBCST>4</modBCST>
<pMVAST>40.0000</pMVAST>
<vBCST>1400.00</vBCST>
<pICMSST>18.0000</pICMSST>
<vICMSST>72.00</vICMSST>
</ICMS90>
</ICMS>Esse exemplo também é didático. Antes de usar CST 90 com ST, confirme se CST 10, 30 ou 70 não representa melhor a situação.
Exemplo de cálculo
Considere uma situação residual com ICMS próprio:
| Campo | Valor |
|---|---|
| Base de cálculo | R$ 1.000,00 |
| Alíquota | 18% |
| ICMS | R$ 180,00 |
R$ 1.000,00 × 18% = R$ 180,00
O cálculo é simples. A parte mais importante é justificar corretamente o uso do CST 90.
cBenef no CST 90
Quando a operação residual envolver benefício fiscal, a UF pode exigir cBenef.
Nesse caso, utilize o código previsto na tabela oficial e confirme se ele corresponde ao benefício aplicado. O CST 90 não dispensa essa obrigação.
FCP e FCP-ST no CST 90
Dependendo da operação, podem ser exigidos campos de FCP sobre o ICMS próprio ou sobre a substituição tributária.
Antes da emissão, confirme:
- se o produto está sujeito ao adicional;
- qual é o percentual vigente;
- qual base deve ser utilizada;
- se existe redução;
- quem é o responsável pelo recolhimento;
- quais campos devem aparecer no XML.
CST 90 no DANFE
No DANFE, o código e os valores aparecem conforme os dados enviados no XML.
Como o grupo ICMS90 admite combinações diferentes, a leitura isolada do DANFE pode não revelar toda a lógica fiscal. Por isso, confira também o XML autorizado, a parametrização do ERP e a documentação de suporte.
CST 90 no SPED Fiscal
Na EFD ICMS/IPI, o CST 90 pode repercutir em registros como C100, C170, C190, C191, C195, C197, E110 e E111, conforme a operação.
Na prática, o ponto central é manter coerência entre CST, CFOP, alíquota, valores do XML e escrituração.
O Guia Prático da EFD ICMS/IPI vigente deve ser consultado antes da parametrização.
O CST 90 permite crédito de ICMS?
O CST 90, sozinho, não garante nem impede crédito.
O direito depende do imposto efetivamente destacado, do regime do destinatário, da destinação da mercadoria, da idoneidade do documento e das regras específicas da operação.
Além disso, quando houver ST, benefício ou desoneração, avalie as regras de crédito, estorno, ressarcimento e complemento.
CST 90 e Simples Nacional
Empresas do Simples Nacional normalmente utilizam CSOSN, inclusive o CSOSN 900 para outras situações.
Contudo, CST 90 e CSOSN 900 não são equivalentes automáticos. A escolha depende do CRT, do sublimite, do leiaute e da operação.
CST 90, IBS e CBS em 2026
O CST 90 trata apenas do ICMS. PIS, COFINS, IPI, ISS, IBS e CBS possuem classificações e fundamentos próprios.
Durante a transição da Reforma Tributária, não use CST 90 como substituto de classificações de IBS e CBS. Esses tributos devem seguir a Lei Complementar nº 214/2025, os atos posteriores e os leiautes oficiais aplicáveis.
Erros comuns com CST 90
- usar CST 90 como código padrão;
- usar o código porque o cadastro fiscal está incompleto;
- ignorar CST mais específico;
- preencher campos incompatíveis no ICMS90;
- combinar ICMS próprio e ST sem fundamento;
- omitir FCP ou FCP-ST;
- omitir cBenef quando exigido;
- usar CFOP incompatível;
- apropriar crédito sem análise;
- divergir XML, ERP e SPED.
Checklist antes de usar o CST 90
- Por que nenhum CST específico representa a operação?
- Existe fundamento legal?
- A origem da mercadoria está correta?
- O CFOP e a NCM foram validados?
- Há ICMS próprio?
- Há redução de base?
- Há ICMS-ST?
- Há FCP ou FCP-ST?
- A UF exige cBenef?
- Os campos XML são compatíveis?
- O crédito foi analisado?
- O SPED refletirá a mesma parametrização?
- A decisão está documentada?
Perguntas frequentes sobre o CST 90
O que significa CST 90?
Significa outras situações tributárias do ICMS não representadas adequadamente pelos códigos específicos.
Qual é a diferença entre CST 90 e CST 090?
CST 90 é a situação tributária. CST 090 combina origem 0 com tributação 90.
CST 90 pode ser usado em qualquer operação?
Não. Ele deve ser usado de forma residual e justificada.
CST 90 pode ter ICMS-ST?
Pode, conforme a operação e o leiaute. Antes, confirme se CST 10, 30 ou 70 é mais adequado.
CST 90 permite crédito?
Depende do destaque, da destinação e da legislação. O código sozinho não garante crédito.
Qual grupo XML é usado?
O grupo técnico é ICMS90.
Fontes oficiais para consulta
- Convênio SINIEF s/nº de 1970;
- Portal Nacional da NF-e;
- Manual de Orientação do Contribuinte e XML da NF-e;
- Guia Prático da EFD ICMS/IPI;
- RICMS/SP.
Links internos relacionados
- CST do ICMS;
- CST 00;
- CST 10;
- CST 20;
- CST 40;
- CST 41;
- CST 50;
- CST 51;
- CST 60;
- CST 70;
- SPED Fiscal;
- XML da NF-e.
Conclusão
O CST 90 do ICMS representa outras situações tributárias e deve ser usado de forma residual.
Antes de utilizá-lo, confirme por que os códigos específicos não se aplicam. Em seguida, valide fundamento legal, CFOP, NCM, origem, ICMS próprio, ST, FCP, cBenef, crédito e escrituração.
Essa análise reduz o risco de transformar o CST 90 em um código genérico de parametrização e melhora a consistência entre NF-e, XML, ERP e SPED.




